Regras do BdP
Prazo máximo de financiamento do crédito habitação: regras do BdP
O Banco de Portugal limita o prazo do crédito habitação com base na idade do proponente e no custo total. Entenda as regras e como escolher o prazo ideal.
Publicado a 10 de agosto de 2026
Atualizado a 12 de agosto de 2026
3 min de leitura

Pontos-chave
- O Banco de Portugal limita o prazo a 40 anos para aquisição e 30 anos para outras finalidades.
- A idade do proponente no final do contrato não deve exceder 70-75 anos.
- Prazos mais longos reduzem a prestação mas aumentam o custo total em dezenas de milhares de euros.
- A melhor estratégia é contratar prazo moderado e amortizar antecipadamente.
O que define o prazo máximo do crédito habitação?
O prazo de financiamento é o número de anos durante os quais vai pagar o seu crédito habitação. Em Portugal, este prazo não é livre — o Banco de Portugal (BdP) estabelece limites que os bancos devem respeitar, combinando dois fatores: a idade do proponente no final do contrato e o prazo total do empréstimo.
Estes limites existem para garantir que o crédito é sustentável: ninguém deve ficar com uma prestação pesada depois de reformar, quando o rendimento diminui.
A regra da idade vs. prazo do Banco de Portugal
Desde 2018, o Banco de Portugal recomenda que os bancos limitem o prazo do crédito habitação de modo a que:
- A idade do proponente mais novo no final do contrato não exceda 70 a 75 anos (a maioria dos bancos usa 70, alguns aceitam 75).
- O prazo total do empréstimo não ultrapasse 40 anos para aquisição e 30 anos para outras finalidades.
Na prática, isto significa que um proponente com 35 anos pode obter um prazo máximo de 35 a 40 anos (chegando aos 70-75 no final). Um proponente com 50 anos já está limitado a 20-25 anos de prazo.
Importante: a regra da idade aplica-se ao proponente mais novo quando há dois titulares. Se um casal tem 35 e 45 anos, o banco usa os 35 anos para calcular o prazo máximo.
Qual é o prazo máximo na prática?
Apesar do limite legal de 40 anos, a maioria dos bancos em Portugal oferece prazos máximos entre 30 e 40 anos para aquisição de habitação própria e permanente. Para segunda habitação ou investimento, o prazo máximo é tipicamente 30 anos.
Alguns bancos são mais conservadores e limitam o prazo a 35 anos. Outros aceitam 40 anos mas exigem um esforço de poupança ou seguros de vida com coberturas adicionais.
Impacto do prazo no custo total do crédito
O prazo tem um impacto dramático no custo total. Um prazo mais longo reduz a prestação mensal, mas aumenta significativamente o total de juros pagos ao longo do contrato.
Veja um exemplo prático para um empréstimo de 150.000€ à taxa variável (Euribor + 1%):
PrazoPrestação mensalTotal de juros pagosCusto total20 anos~830€~49.000€~199.000€30 anos~660€~88.000€~238.000€40 anos~570€~124.000€~274.000€ Como vê, prolongar o prazo de 30 para 40 anos reduz a prestação em ~90€/mês, mas custa mais ~36.000€ em juros adicionais ao longo do contrato.
Prazo vs. Prestação: a armadilha do prazo longo
Muitos clientes escolhem o prazo máximo apenas para ter a prestação mais baixa. Isto pode ser um erro por três razões:
- Juros acumulados: cada ano extra significa milhares de euros em juros.
- Amortização lenta: nos primeiros anos, a maior parte da prestação paga juros, não capital. Com prazos longos, a amortização é ainda mais lenta.
- Risco de taxa variável: se a Euribor subir, a prestação pode tornar-se insustentável mesmo sendo "baixa" no início.
Como escolher o prazo ideal
A escolha do prazo deve equilibrar três fatores:
- Taxa de esforço: a prestação não deve exceder 30-35% do rendimento líquido do agregado.
- Idade e plano de carreira: considere quando pretende reformar e como o rendimento vai evoluir.
- Estratégia de amortização: pode contratar um prazo longo mas amortizar antecipadamente quando tiver poupanças.
A melhor estratégia é frequentemente contratar um prazo moderado (25-30 anos) e usar amortizações antecipadas para reduzir o custo total sem comprometer a liquidez mensal.
Quanto pode pedir ao banco?
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