Otimização de Crédito
Transferir o crédito habitação: quando é que compensa mesmo
Mudar o crédito de banco pode poupar mais de 100 € por mês — ou nada, se os custos comerem a poupança. A regra dos 24 meses ajuda a decidir em minutos.
Eduardo Marcos
Intermediário de crédito vinculado, registado no Banco de Portugal sob o n.º 0002095
Publicado a 19 de maio de 2026
Atualizado a 30 de julho de 2026
5 min de leitura

Pontos-chave
- Some os custos e divida pela poupança mensal: abaixo de 24 meses de recuperação, a transferência compensa.
- A comissão de reembolso antecipado é de 0,5% em taxa variável e 2% em taxa fixa.
- Antes de transferir, apresente as propostas ao banco atual e peça equiparação.
- Mantenha o prazo restante: alargá-lo baixa a prestação mas aumenta o custo total.
Transferir o crédito habitação significa contratar um novo empréstimo noutro banco para liquidar o atual, mantendo a mesma casa e o mesmo prazo restante. Vale a pena quando a poupança mensal recupera os custos da operação num prazo razoável.
Os custos da transferência
- Comissão de reembolso antecipado: 0,5% do capital em dívida em contratos de taxa variável; 2% em taxa fixa.
- Nova avaliação bancária: 250 € a 400 €.
- Registos e distrate da hipoteca: cerca de 300 € a 500 €.
- Imposto de Selo: não incide de novo em operações de transferência de crédito habitação.
A regra dos 24 meses
Some todos os custos e divida pela poupança mensal estimada. Se o resultado for inferior a 24, a operação compensa com clareza.
Exemplo real de um contrato com 160.000 € em dívida e 27 anos restantes: descer o spread de 1,35% para 0,90% poupa cerca de 38 € por mês. Os custos totais rondam 1.300 €. A recuperação ocorre em 34 meses — no limite. Se a descida fosse de 1,60% para 0,90%, a poupança subiria para 59 € mensais e o retorno cairia para 22 meses.
Antes de transferir, tente renegociar
O banco atual perde receita se o cliente sair e nem sempre resiste a igualar a proposta concorrente. O processo é simples: obtenha propostas escritas de dois ou três bancos, apresente-as ao seu gestor e peça equiparação. Não custa nada e resolve muitos casos sem burocracia.
O que verificar na nova proposta
- Prazo: manter o prazo restante. Alargá-lo baixa a prestação, mas aumenta o custo total do crédito.
- Produtos associados: confirme se a bonificação de spread depende de seguros mais caros do que os atuais.
- Seguro de vida: ao mudar de banco, a idade e o estado de saúde atuais determinam o novo prémio — é o ponto que mais surpresas gera.
- TAEG: só a TAEG permite comparar com o contrato em vigor de forma honesta.
Quem beneficia mais
Contratos assinados entre 2008 e 2012, com spreads acima de 1,5%, são os candidatos naturais. Também compensa a quem viu o imóvel valorizar: um LTV mais baixo hoje abre acesso a spreads que não estavam disponíveis na contratação.
Quanto pode pedir ao banco?
2 minutos e recebe a estimativa de capacidade de financiamento e taxa de esforço.
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