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Mercado e Taxas

Taxa fixa, variável ou mista: como decidir em 2026

Em 2026, a escolha entre taxa fixa, variável e mista continua a resumir-se a uma pergunta: quanto risco de subida cabe no seu orçamento? Explicamos com números.

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Pontos-chave

  • A escolha certa é a que sobrevive a uma subida de 1 ponto percentual na Euribor sem comprometer o orçamento.
  • A taxa mista protege os primeiros anos, mas confirme por escrito o spread aplicável depois do período fixo.
  • Sair de um contrato de taxa variável custa 0,5% do capital; de taxa fixa ou mista, 2%.
  • Mudar de modalidade durante o contrato é possível, negociando com o banco ou transferindo o crédito.

Escolher a modalidade de taxa do crédito habitação é, na prática, decidir quem fica com o risco de a Euribor subir: o banco ou você. Não existe resposta universal — existe a resposta certa para o seu orçamento.

Como se forma cada modalidade

Taxa variável

A TAN resulta da soma do indexante (Euribor a 3, 6 ou 12 meses) com o spread do banco. A prestação é recalculada no fim de cada prazo de revisão, para cima ou para baixo, consoante o mercado.

Taxa fixa

O banco fixa uma taxa única para um período determinado — 5, 10, 20 anos ou todo o contrato — independentemente da Euribor. A prestação não muda durante esse período, mas a taxa inicial costuma ser mais alta do que a variável equivalente.

Taxa mista

Combina um período inicial de taxa fixa com taxa variável no restante prazo. Protege exatamente os anos em que o peso dos juros é maior, mas [VERIFICAR: spread aplicável após o fim do período fixo em cada banco] pode ser mais alto do que nas propostas 100% variáveis.

Comparação direta

Modalidade Previsibilidade Comissão de amortização antecipada Perfil indicado
Variável Baixa 0,5% do capital amortizado Quem tem folga no orçamento
Fixa Total no período contratado 2% do capital amortizado Quem precisa de estabilidade
Mista Parcial 2% no período fixo, 0,5% depois Quem quer proteger o arranque

O teste que substitui qualquer previsão

Não tente adivinhar a Euribor de 2027. Faça este exercício simples:

  1. Calcule a prestação com a taxa proposta.
  2. Recalcule somando 1 ponto percentual ao indexante.
  3. Verifique se a taxa de esforço se mantém abaixo de [VERIFICAR: limite de referência do banco, tipicamente entre 35% e 40%] com a segunda prestação.

Se mantiver, a variável tende a ser a opção mais barata a prazo. Se não mantiver, a fixa ou a mista compram-lhe uma tranquilidade que tem um preço justo — pague-o conscientemente, não por medo.

Um exemplo com números

Para um empréstimo de 200.000 €, a 35 anos: uma TAN de referência perto de 3% gera uma prestação na ordem dos 770 a 800 €. Uma subida de 1 ponto percentual no indexante acrescenta, no mesmo cenário, cerca de 100 a 120 € mensais — valores que deve confirmar sempre com a simulação da sua proposta concreta, porque dependem do spread exato.

O detalhe que a maioria ignora na taxa mista

Quando o período fixo termina, o contrato passa a variável com um spread próprio, definido no momento da contratação. Peça esse valor por escrito antes de assinar — é frequente ser superior ao spread das propostas totalmente variáveis do mesmo banco, o que reduz a vantagem da mista a médio prazo.

A decisão não é definitiva

Pode mudar de modalidade durante o contrato, negociando com o banco atual ou transferindo o crédito para outra instituição. O custo de sair é a comissão de reembolso antecipado: 0,5% em contratos de taxa variável, 2% em taxa fixa e mista (sobre o capital em dívida no momento). Essa assimetria deve entrar na decisão inicial, porque condiciona quanto lhe custa corrigir o rumo mais tarde.

Perguntas a fazer ao banco antes de escolher

  • Qual o spread aplicável na taxa variável, hoje e após um eventual período fixo?
  • Qual o indexante utilizado (Euribor a 3, 6 ou 12 meses) e a data de revisão?
  • Que comissão de reembolso antecipado se aplica em cada modalidade?
  • Existe possibilidade de mudar de modalidade sem custos de abertura de novo processo?

Em síntese, como decidir

Se o seu orçamento tem folga confortável e valoriza pagar menos comissão para amortizar antecipadamente, a variável costuma compensar. Se prefere previsibilidade total e a diferença de prestação face à variável é administrável, a fixa dá-lhe tranquilidade. A mista serve sobretudo quem quer proteger os primeiros anos do contrato — os de maior peso de juros — sem fixar a taxa para sempre. A resposta certa é sempre a que sobrevive a um teste de stress de 1 ponto percentual, não a que parece mais barata na simulação do primeiro mês.

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