Garantia Pública
Comprar a primeira casa: quanto precisa de ter de parte
Entre entrada, impostos e custos de escritura, a conta real de uma primeira compra vai muito além dos 10%. Fazemos a soma completa para uma casa de 250.000 €.
Sandro Roncon
Joint Achievement, Lda. é o intermediário de crédito vinculado, registado no Banco de Portugal sob o n.º 0002095
Publicado a 21 de julho de 2026
Atualizado a 30 de julho de 2026
6 min de leitura

Pontos-chave
- Numa casa de 250.000 €, os capitais próprios necessários rondam os 37.400 € e não apenas a entrada de 25.000 €.
- A garantia pública para jovens até 35 anos dispensa a entrada, mas não os impostos nem os custos da escritura.
- Nunca use a reserva de emergência integral na entrada — as despesas pós-escritura são inevitáveis.
- Obtenha a pré-aprovação antes de assinar o CPCV e inclua cláusula de salvaguarda.
A pergunta mais comum de quem compra a primeira casa é também a mais mal respondida. A entrada não é o único capital próprio necessário: aos 10% do valor da casa somam-se impostos, escritura, avaliação e registos. Vamos à conta completa.
A conta real de uma casa de 250.000 €
| Rubrica | Valor aproximado |
|---|---|
| Entrada (10%) | 25.000 € |
| IMT | 8.000 € |
| Imposto de Selo (compra e crédito) | 3.350 € |
| Escritura e registos | 700 € |
| Avaliação bancária | 350 € |
| Total de capitais próprios | 37.400 € |
Os valores de IMT variam com o escalão e com eventuais isenções; a tabela serve para dimensionar a ordem de grandeza, não para substituir o cálculo do caso concreto.
A garantia pública para jovens até 35 anos
Quem tenha até 35 anos, esteja a comprar a primeira habitação própria e permanente e cumpra os limites de rendimento e de valor do imóvel pode recorrer à garantia pública do Estado, que permite financiar até 100% do valor de avaliação. Dispensa a entrada, mas não dispensa os impostos nem os custos de escritura — continua a precisar de cerca de 12.000 € no exemplo acima.
Não gaste a reserva de emergência na entrada
Este é o erro mais caro que vemos. Depois da escritura aparecem obras, mobiliário e imprevistos. Quem entrega toda a poupança na entrada acaba a financiar a cozinha com crédito pessoal a 9% — e a agravar a taxa de esforço no primeiro ano de contrato.
Mantenha sempre seis meses de despesas fixas disponíveis, já contando com a nova prestação.
O que o banco vai pedir
- Documentos de identificação e IBAN
- Últimos três recibos de vencimento e declaração da entidade patronal
- Última declaração de IRS e respetiva nota de liquidação
- Extratos bancários dos últimos três a seis meses
- CPCV ou caderneta predial do imóvel
A ordem certa das coisas
- Faça o diagnóstico da sua capacidade antes de visitar casas.
- Obtenha uma pré-aprovação de financiamento.
- Só depois assine o CPCV, com prazo de 60 a 90 dias para a escritura.
- Inclua no CPCV uma cláusula de salvaguarda para o caso de não aprovação do crédito.
Inverter esta ordem é a razão mais frequente pela qual compradores perdem sinais.
Quanto pode pedir ao banco?
2 minutos e recebe a estimativa de capacidade de financiamento e taxa de esforço.
Começar




